
Bruna Canonico Torres 
VIK, de Vik Muniz Olhe à sua volta: há um mundo de coisas para as quais você não dá a menor importância. Poeira? Você já considerou a poeira como algo possível de ter outro significado? E o lixo, pode ser algo além de ser, simplesmente, lixo? Pois bem, um artista brasileiro — seu nome é Vik Muniz — foi capaz de olhar essas coisas cotidianas e, com elas, recriar possibilidades de apresentar e perceber o mundo.Com mais de 120 trabalhos que abarcam do início de sua carreira, do final dos anos 1980 até os dias de hoje, esta é a maior exposição já dedicada ao artista. Depois de passar pelos Estados Unidos, Canadá e México, ela chega ao Brasil no momento em que Vik atinge o ápice de seu reconhecimento, tornando-se um dos brasileiros mais consagrados no cenário da arte internacional. Para Vik Muniz, o artista faz a metade do trabalho; a outra parte é feita pelo espectador, que exerce um papel ativo. Agora chegou a sua vez! Entre nessa aventura, que é ver a exposição: ouse e reinvente seu olhar. Há 25 anos radicado em Nova Iorque, Vik Muniz, 47, construiu uma carreira singular. Conseguiu atrair a atenção da comunidade artística internacional com fotografias de trabalhos realizados a partir de técnicas variadas e materiais quase sempre inusitados - como a Mona Lisa feita de pasta de amendoim, o Che Guevara desenhado em geléia ou o retrato de Elizabeth Taylor montado a partir de centenas de pequenos diamantes. Mais recentemente, voltou a surpreender o mundo com a série de imagens feitas a partir de lixo. A originalidade de sua obra lhe garantiu o reconhecimento da crítica e o estabeleceu como um dos criadores mais incensados da arte contemporânea, presente no acervo dos principais museus do mundo. Agora o público paulistano poderá ter uma visão abrangente da produção do artista com a chegada à cidade desta que é a maior exposição já dedicada à sua obra, mais de 200 imagens que compõem as 131 fotografias – com dimensões que vão de 23,6cm X 33 cm a 292,1cm x 180,3cm a mostra ocupa o MASP – Museu de Arte de São Paulo durante dois meses e meio. Ao lidar com a memória, a ilusão e sobretudo o humor, apoiados no uso de materiais pouco convencionais, Vik Muniz imprimiu sua marca no concorrido universo das artes.Ele não apenas registra sua versão do mundo ao seu redor, mas o recria, literalmente: antes de seu olhar como fotógrafo captar o que se tornará o produto final de sua obra, ele cria um verdadeiro teatro, com cenas, retratos, objetos e imagens, alguns em escala gigantesca, usando elementos tão diversos como papel picado, sucata, molhos e algodão em processos de construção que podem levar semanas ou mesmo meses. Assim, surgiram algumas das obras presentes na mostra, como a Mona Lisa dupla de geléia e pasta de amendoim; o soldado composto por inúmeros soldadinhos de brinquedo; a Medusa de macarrão e molho marinara; o Saturno devorando um de seus filhos, de Goya, refeito com sucata; e retratos das atrizes Elizabeth Taylor e Monica Vitti compostos por milhares de pequenos diamantes.Seu trabalho é constantemente apontado como uma fusão entre dois extremos da arte: visualmente impactante, sua obra tem se mostrado ao mesmo tempo facilmente apreendida pelo observador comum, assim como tem agradado o olhar treinado do colecionador de arte. Aceitação ampla que talvez se explique em parte através do que Vik acredita ser primordial na arte:“O artista faz só metade da obra, o observador faz o resto”, afirma.

Exposição ‘Vik’ Retrospectiva com 131 obras do artista plástico Vik Muniz Exposição: de 24 de abril a 12 de julho Horário de visitação: terça a domingo e feriados, das 11h às 18h; Às quintas, das 11h às 20h. Ingresso: Inteira – R$ 15,00 Estudantes - R$ 7,00 Menores de 10 anos e maiores de 60 anos – Gratuito Às terças-feiras a entrada é gratuita Local: Museu de Arte de São Paulo – MASP Endereço: Av. Paulista, 1578 Telefone: (11) 3251 5644 Classificação etária: livre

Auto-retrato (frente), IMAGENS DE REVISTA / chromogenic print

Medusa marinara / cibachrome print

Atlas (Carlão), IMAGENS DE LIXO / digital C print

Elizabeth Taylor, IMAGENS DE DIAMANTES / cibachrome print
Opinião: Em suas obras, materiais inusitados para a arte, como calda de chocolate, pasta de amendoim, caviar e diamantes, são utilizados para criar grandes ícones da fotografia e da pintura. O resultado são imagens surpreendentes, que nos parecem a um só tempo familiares e estranhas. Vik trabalha em vários níveis de compreensão: num primeiro momento, o que você vê é uma fotografia, depois, vê além. Há todo um pensamento filosófico e sensorial por trás de cada imagem, repleta de duplos sentidos. Duplos ou triplos, Vik é, como suas fotografias vários em um, desempenhando papéis de escultor, desenhista, fotógrafo, escritor, criador, ilusionista e crítico. Nas obras nomeadas “Indivíduos”, 52 esculturas fotografadas, produzidas por Vik de um único bloco de plastilina branca, cada vez que concluía uma escultura, ele a fotografava e em seguida a destruía para assim reutilizar o material em uma próxima peça. Por fim, pois o que sobravam das esculturas era só as fotos tiradas. Achei interessante.Gostei bastante das “Mônadas”- partículas indivisíveis que constituem a essência de todas as coisas – nome dado as obras que são feitas com soldadinhos de plástico, o cavalo é muito lindo. Outras obras feitas com diversos e diferentes tipos de brinquedos de plástico também são interessantes.A enorme fotografia de um Mapa Mundi, feita com sulcata, diversas partes e pedaços de computadores velhos é espetacular.Adorei a obra “Caminhando sobre o mar de cinzas”, a qual o artista usa as próprias cinzas e bitucas de cigarro.Contudo, os mais impressionantes são os feitos com sucata, os quais nos refletem a natureza da sucata: o que ela diz a nosso respeito e o que ela diz a respeito da nossa atitude diante do futuro. Vik fez retratos de pessoas que trabalham no maior depósito de lixo do mundo Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Eles sobrevivem reciclando as coisas que catam. Vik faz seus retratos em situações alegóricas, auxiliado por eles e usando material que eles reciclam.Vik se tornou um fenômeno de comunicação, raramente um artista contemporâneo provocou neste país uma mobilização desse porte, aproximando o grande público da grande arte. Isso se deve, por um lado, à mágica da obra de Vik; por outro, a uma montagem compreensível que permitiu a cada visitante exercer a sua própria liberdade do olhar. O fato de que a arte de Vik permite diversos níveis de leitura e compreensão, desde o apenas imagético até as elaboradas e sofisticadas referências estéticas e intelectuais que a sustentam. Um trabalho que agrada desde uma criança até um graduado de Harvard. Além da inegável importância de um evento como este, o caráter singular da obra de Vik Muniz convida o espectador a apreciá-la não apenas com os olhos mas experimentá-la de forma sinestésica. É a possibilidade de dar asas à imaginação de cada visitante. Como o próprio Vik define, “A espinha dorsal da educação é o brincar”.
Links Relacionados: http://www.vikmuniz.net/ http://masp.uol.com.br/
Escrito por turmafpn às 01h15
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